Depois de cinco anos, o quinteto nova-iorquino voltou dividindo opiniões
O dia 13 de março era um domingo tão entediante os outros, quando alguém soltou no twitter “VAZOU ANGLES”. É, depois de cinco anos de espera, os fãs de Strokes (incluindo essa que vos fala) puderam finalmente ouvir o novo álbum (que curiosamente apareceu logo após o vazamento do “rival” Vaccines). Está programado para ser lançado oficialmente no dia 21 de março, mas depois do vazamento a própria banda liberou para streaming no site oficial.
O que acontece com o Strokes é o seguinte: eles são uma das bandas mais influentes dos anos 2000, já foram chamados de novos Ramones, salvadores do Rock, só pra citar alguns, e deve ser nada menos que sensacional pra eles, mas é muita responsa. Ninguém quer o bom, todo mundo quer o excelente, um álbum que faça valer a pena todo o tempo de espera, e fique no repeat do player semanas!
O primeiro single do álbum, “Under Cover Of Darkness”, só alavancou ainda mais essa esperança. Dançante, agitada, e com aquela pegada “rock de garagem” que o Strokes faz(ia) como nenhuma outra, pelo menos no cenário atual. Não demorou muito pra letra estar na ponta da língua de nove entre dez indie rockers.

Essa mesma letra diz: “Eu estive pela cidade, e todo mundo canta a mesma música há dez anos”. Poderia ser um aviso do que viria por aí, uma coisa diferente do que o Strokes fez desde 2001.
Já nos primeiros acordes fica óbvio que a banda mudou. “Machu Picchu”, a primeira faixa do CD, que já havia sido divulgada pela banda como um teaser, não tem muito de Strokes. Pelo menos não aquele Strokes que conhecíamos até 2006 quando foi lançado First Impressions Of Earth.
Parece influenciado pelo trabalho solo do Julian Casablancas. A simplicidade, a bateria seca, a guitarra gritante, que faz qualquer um querer sair por aí pulando e fazendo air guitars, foram substituídos por elementos eletrônicos, muitos sintetizadores e fortes influências 80’s, além da voz recentemente límpida de Julian.
Mas quando se para de comparar Angles aos outros, dá pra aproveitar um bom álbum! Tem momentos ótimos, como “Two Kinds Of Happiness”, onde todos os novos elementos citados acima parecem se encaixar, e os solos de guitarra matadores fazem a gente lembrar que ainda é Strokes; ou “Taken For a Fool”, que é uma das melhores do álbum, perfeita pra se acabar na pista (certeza que daqui a pouco tá tocando em tudo que é balada), e é provavelmente uma das que mais se parece com o Strokes que todo mundo já conhece e ama. Tá, eu disse que não iria comparar Angles aos outros álbuns, mas é praticamente impossível. Troque o comparar por julgar, aí fica mais fácil. Não vou julgar Angles pelos outros álbuns, é isso.
“Games” é uma daquelas faixas que eu gostaria que não tivesse sido lançada. É ruim, sem mais delongas.
“Call Me Back” é voz, guitarra e alguns efeitos. Lembra em alguns momentos “I’ll Try Anithing Once”, só que não funciona. Parece inconsistente, uma desconstrução mal feita, onde é impossível juntar as peças e fazer sentido.
Continuando com as partes boas, “Gratisfaction” é simplesmente uma delícia de se ouvir. Letra, voz e melodia se encaixam perfeitamente, e no refrão cada frase é dita praticamente palavra por palavra, e cada palavra praticamente “escala” a guitarra.
“Metabolism” é a faixa do álbum que, quando está no player, eu escolho pular. Parece um Lado B ruim do First Impressions Of Earth, é dolorida de se ouvir.
Da primeira vez que ouvi o cd, já estava pronta para terminar decepcionada, mas aí veio uma boa surpresa, a última faixa: “Life Is Simple As The Moonlight”. Mais calma do que se espera de Strokes, diferente, mas linda. Aquele tipo de música que faz você querer ouvir o álbum de novo.
E eu pelo menos, ouvi. Várias vezes. Sabendo que não era o que eu esperava, mas a verdade é que existe um problema com grandes expectativas, elas são pré-requisitos pra decepções. Foi isso que aconteceu com muitos fãs da banda, que aguardavam um novo Is This It.
Apesar de não ser, ainda é um bom álbum. Não é excelente, talvez não emocione, mas tem seu mérito, e é algo novo do Strokes pra ouvir.
Nota: 7,5
Ouça no Talo: Under Cover Of Darkeness
Pule no Player: Metabolism
Por Nath