As trevas invadirão o outono/inverno 2011, parece que os estilistas se deixaram abater pelas previsões das grandes desgraças, a começar pelo possível término do mundo em 2012. O clima pesado começou com o suicídio do brilhante Alexander McQueen, mesmo após um ano de sua morte ele ainda é o assunto, e culminou na recente demissão do estilista queridinho das celebridades John Galliano, que foi “desligado” da Dior por ter dado demonstrações de antissemistismo em público na capital das luzes.
Quando digo trevas, não pense apenas em roupas escuras, pense no lado negro do ser humano, pense em sordidez, em mórbido, em sadomasoquismo, no repulsivo. Pense nos sentimentos menos nobres e também naquilo de mais podre que o ser humano já foi capaz de produzir. Parece que alguém foi até a Caixa de Pandora e resolveu dar uma revirada para ver se saía mais alguma coisa. Desde a semana de moda de Nova York estamos assistindo a uma sucessão de referências ao lado negro da força.
Os fetichistas de todo o mundo devem ter ficado saciados com a amostra explícita daquilo que eles guardam à sete chaves. Espartilhos, botas de cano alto e bico fino, mortalhas, algemas. Os soldados, símbolos de todas as guerras, não faltaram, as estampas camufladas, os quepes. Até a fofinha Stella McCartney trouxe modelitos como o übersexy vestido “sombra colante”, que promete ser o hit da estação.
No desfile da Louis Vitton, na semana de moda de Paris, orquestrado por Marc Jacobs, houve até uma baphonica Kate Moss cruzando a passarela com um cigarro em punho, no melhor estilo “acabei de dar umazinha”.
O que fica desse lindíssimo show de horrores para nós, reles mortais, é que podemos apagar a luz neste inverno, caprichar nos esmaltes escuros, exagerar nas botas, inclusive coturnos. Usar e abusar de rendas e veludos, fazendo a deliciosa brincadeira de mostra e esconde. Talvez a palavra de ordem da nova estação seja “sexy”, mais ainda “fetiche”.
Marques de Sade ficaria orgulhoso dos seus súditos hein.
Por Flávia.



